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Crescimento da ocupação faz cair desemprego entre as mulheres da RMBH

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A taxa de desemprego retraiu-se em 20,1% entre as mulheres em 2008, ao passar de 15,9% para 12,7% em relação a 2008. Entre os homens a queda foi de 19,1%. Os declínios das taxas de desemprego femininas e masculinas deveram-se ao aumento do nível ocupacional em maior proporção tanto para as mulheres quanto para os homens. O nível ocupacional entre as mulheres cresceu 6,2% e entre os homens 4,1%. A taxa de participação, que é a razão entre a população economicamente ativa (PEA) e a população total acima de 10 anos e mais, foi de 65,3% entre as mulheres, 1.083 pessoas do total da PEA. Os homens somaram 1.281 pessoas, 53,5% do total da PEA. As mulheres elevaram sua participação nos setores de serviços e comércio ao passo que os homens tiveram aumento no setor industrial e construção civil. O valor médio da hora trabalhada entre as mulheres elevou-se de R$5,25 para R$5,47 de 2007 para 2008, o que corresponde a uma variação de 4,2%. A dos homens variou 7,8%, passando para R$7,29, o que fez com que o rendimento real por hora feminino equivalesse a 74,9% do masculino.Os dados são do Boletim Regional Mulher 2009, baseado nos dados da Pesquisa de Emprego e Desemreprego da RMBH, produzido pela Fundação João Pinheiro, Dieese e Sedese, divulgado nesta quarta-feira, no BDMG

Ocupação vem aumentando para mulheres na RMBH

Segundo o economista Mário Rodarte, coordenador da pesquisa pelo Dieese, o desemprego vinha aumentando para as mulheres ao longo dos últimos anos e provocando diferenças grandes entre homens e mulheres. “Em 2008 esse quadro começou a mudar. Foram criadas 62 mil vagas entre as mulheres e 50 mil para os homens”, afirmou o especialista. De acordo com Rodarte, a melhoria para as mulheres está associada ao fato de elas terem uma melhor escolaridade, o que lhes permite atuar em setores que exigem mais qualificação. “As mulheres estão assumindo postos de comando, o que contribui para a reversão do quadro do mercado de trabalho para elas. Isso também propicia melhora nos rendimentos delas, embora ainda sejam equivalentes a 75% do que os homens recebem”. Segundo Rodarte, essa diferença é estrutural e somente a adoção de políticas públicas voltadas exclusivamente para as mulheres podem mudar esse quadro. Outro fator interessante ressaltado pelo pesquisador é que o aumento da participação da mulher no mercado de trabalho “dá-se também porque elas precisam trabalhar, independentemente de o marido estar empregado, porque hoje elas são essenciais na composição da renda familiar”.

 

Perfil das famílias da RMBH

Segundo a pesquisa, as famílias estão propensas a ser cada vez menores na RMBH, visto a tendência de declínio do número médio de pessoas na família, o que se deve a fatores como retração do número médio de filhos (1,3), e à maior proporção de famílias com filhos e sem cônjuge e de pessoas que moram sozinhas. “A família tradicional, composta por um casal, ainda é a que prevalece na RMBH, correspondendo a 53,6% do total. O casal com filhos se encontra soma 42,4% e o casal sem filhos 11,2%”, explica o coordenador do trabalho. As famílias sem cônjuges, mas com filhos, equivalem a 15,4% do total de famílias, sendo que 13,7% têm mulheres como chefes, enquanto as que detêm chefia masculina são de apenas 1,6%. “A idéia de que a mulher sai do mercado para ter filhos se modificou, porque como se vê, 13,7% das famílias na RMBH são chefiadas por mulheres”, diz Rodarte. A pesquisa detectou também que 14,3% das mulheres no mercado de trabalho moravam sozinhas na RMBH. De acordo com o estudo, a mulher que vive sozinha tem melhores salários porque é mais qualificada, mais escolarizada e disponível para atuar em nichos diferentes do mercado.

 

Participação das mulheres como chefes e cônjuges

As mulheres com filhos e sem cônjuge detêm maior taxa de participação (58,3%) que as mulheres nas demais categorias. Para Mário Rodarte, “diante da elevada taxa de participação das chefes de família sem cônjuge e das mulheres enquanto cônjuges, ambas com filho caçula com até cinco anos de idade, ressalta-se a necessidade de políticas públicas que garantam tranqüilidade às mães, no sentido de fornecer a seus filhos o tratamento e cuidados adequados e educação infantil com qualidade”.

 

Posição na ocupação das mulheres chefes de família e cônjuges

Cerca de 30% das mulheres estavam empregadas com carteira assinada no setor privado na RMBH em 2008. Entre os cônjuges femininos sem filhos, eram 42,8%. O trabalho autônomo era ocupado por 22,9% delas. As chefes sem cônjuge com filhos trabalhavam como domésticas (23,5%) e as que moravam sozinhas estavam no setor público (21,9%). Segundo Mário Rodarte, em 2008 eram 177 mil pessoas no emprego doméstico, sendo 125 mil mensalistas e 52 mil diaristas, o que indica predomínio da mulher nessa atividade, sendo que mais da metade tinham somente o ensino fundamental incompleto. “A participação da mulher no emprego doméstico era de 20% do total das ocupações em anos recentes o que caiu para 14% do total atualmente. Isso ocorreu porque houve aumento do emprego das diaristas em substituição às mensalistas. Além disso, outros setores concorrem com essa atividade, como os serviços de saúde e educação, onde se tem grandes contingentes de mulheres que recebem salários melhores”. Ainda de acordo com o economista, há 20 anos as mulheres se inseriam praticamente nas atividades que dominavam, como corte e costura, salão de beleza, emprego doméstico etc. Hoje, com maior escolaridade, estão aptas a ocupar vagas nas mais diversas atividades e nos mais variados setores.

 

Taxa de desemprego das mulheres chefes de família

A taxa de desemprego das mulheres na condição de cônjuges com filhos era de 11,6%. Para as que tinham filho mais novo de até um ano era de 18,1% e de 17,3% para as que tinham filhos caçulas com mais de um ano até cinco anos. Quando o filho caçula tinha mais de cinco anos de idade a taxa era de 8,5%. “Nota-se que, embora filhos pequenos possam dificultar a mulher na hora de buscar uma ocupação, seja por restringir sua escolha de trabalho por um local mais próximo à sua residência ou por um tipo de jornada de trabalho menor ou mais flexível ou pelo lado do empregador, por preferir contratar mulheres que não possuam filhos menores, não a impedem de fazê-lo”, disse Rodarte.

As mulheres cônjuges com um filho apresentavam taxa de desemprego de 12,7%. Para aquelas com dois filhos ou mais foi de 10,9%, o que poderia estar relacionado à idade e conseqüente acúmulo de experiência profissional. Já para as mulheres chefes sem maridos com filhos, a taxa era de 11,6% quando tinham dois filhos ou mais e de 8,2% quando tinham apenas um filho, sugerindo maior possibilidade de se dedicar à carreira. De acordo com Mário Rodarte, a chamada “feminização” da pobreza está relacionada ao crescimento da família, especialmente para as mulheres com filhos e sem cônjuge. É também preocupante o desemprego estar ainda em 11,6% para mulheres cônjuges com filhos porque elas são as mantenedoras da família.

 

Rendimentos das mulheres na condição de cônjuges ou chefes de família

As mulheres chefes com filhos ganhavam R$5,98 por hora e as que pertenciam ao grupo de casais sem filhos R$6,23. Para as mulheres chefes com filhos e sem cônjuge a hora valia R$5,66 e as mulheres que moram sozinhas recebiam R$.7,99 por hora. As mulheres chefes com filhos e sem cônjuge recebiam o menor rendimento e a menor taxa de desemprego (10,2%). “Essas características estão associadas, ao menos em parte, à maior responsabilidade no sustento familiar e às conseqüências de uma possível ausência de ocupação remunerada”, explicou Rodarte. Já as mulheres que moram sozinhas tiveram rendimento médio mais elevado (R$1.265). As famílias de mulheres chefes com filhos e sem cônjuge estavam em pior posição, apresentando o menor valor de rendimento per capita (R$554). Em seguida, vieram as famílias nucleares com filhos, com rendimento per capita equivalente a R$625. Já as famílias nucleares sem filhos registraram situação melhor (R$994).