Agência Minas e Jornal Minas Gerais - Geral - 27 de fevereiro de 2009
A Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Belo Horizonte registrou aumento na taxa de desemprego, de 8,4% em dezembro de 2008, para 8,8% em janeiro de 2009, mas, mesmo assim, a RMBH manteve a condição de região com a menor taxa entre as seis pesquisadas. Segundo o sociólogo Plínio de Campos Souza, coordenador da pesquisa pela Fundação João Pinheiro, o aumento de sete mil pessoas no total de desempregadas deveu-se ao fato de o número de ocupados, 49 mil pessoas, ter sido maior do que o dos trabalhadores que saíram da População Economicamente Ativa, 42 mil pessoas em janeiro. “Esse desaquecimento é normal no início do ano, tanto que houve retração generalizada da ocupação nas seis regiões em que a pesquisa é realizada, com perdas maiores no setor da construção civil em São Paulo, e nos setores de serviços, construção civil e comércio em Salvador”, disse.
De acordo com a pesquisa realizada pela Fundação João Pinheiro (FJP), Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese-MG) e Fundação Seade, o número de desempregados somou 229 mil trabalhadores, sete mil a mais que em dezembro, quando era de 222 mil. Os ocupados passaram para 2,369 milhões em janeiro. A População Economicamente Ativa (PEA) foi estimada em 2,598 milhões. O tempo médio de procura por trabalho reduziu-se em três semanas, em relação a dezembro de 2008, passando para 42 semanas. No comparativo de 12 meses, a diminuição foi de seis semanas, já que em janeiro de 2008 o tempo era de 48 semanas.
Nas seis regiões em que a pesquisa é realizada, a média da taxa de desemprego ficou em 13,1%. Entre elas, somente Salvador apresentou queda no desemprego de 19,8% para 19,4%. Em São Paulo subiu de 11,8% para 12,5%, em Recife de 17,9% para 18,3%, em Porto Alegre de 9,8% para 10%, e no Distrito Federal de 15,4% para 15,7%. Mesmo subindo de 8,4% para 8,8%, a RMBH ainda mantém o menor índice entre as regiões.
Economia diversificada.
Souza explicou também que em tempos de crise, a tendência é de que as pessoas que estão desempregadas parem ou diminuam a procura por emprego. Segundo ele, esse é um dos motivos para a diminuição de 49 mil pessoas na ocupação, que desceu a 59,2 % em janeiro de 2009, o menor índice da pesquisa, que começou em dezembro de 1996. “Tivemos quedas que chegaram a 29 mil ocupações em janeiro de 1998 e a 30 mil em janeiro de 1997 e janeiro de 2003”, disse o pesquisador, ressaltando que esses foram anos de crise, portanto uma situação econômica similar à que vivemos agora. “Mas a diferença é que nos últimos anos tivemos uma economia mais forte e crescente e, no caso da RMBH, havia mais pessoas ocupadas e com carteira assinada, o que dá a elas o benefício do seguro desemprego, o que não ocorria nos anos de 1997, 1998 e 2003. Outro fator positivo na RMBH, segundo o pesquisador da FJP, e que funciona como um amortecedor para os efeitos da crise, é que “sua economia é diversificada, com forte presença no setor de serviços, o que dá a ela condições de ainda não ter sentido os efeitos piores da crise”.
Melhor desempenho nos serviços
Por setores de atividade econômica, houve redução de 24 mil ocupações na indústria, 19 mil no comércio, oito mil na construção civil e de nove mil no agregado “outros setores” (inclui serviços domésticos, de agricultura, pecuária, extração vegetal e de outras atividades). Somente os serviços apresentaram elevação de 11 mil ocupações no período. Mas quando se compara os dados com os de janeiro de 2008, os serviços criaram 52 mil ocupações, a construção civil 13 mil e a indústria 11 mil. O comércio apresentou redução de cinco mil postos e o agregado “outros setores” recuou em 28 mil ocupações.
Houve redução, em janeiro, de 28 mil postos de trabalho entre os trabalhadores com carteira assinada e de seis mil entre os assalariados sem carteira. Entre os autônomos a redução foi de 22 mil ocupações e para os empregados domésticos o recuo foi de nove mil postos. No setor público houve aumento de cinco mil postos de trabalho e entre as "demais formas de inserção" houve aumento de 11 mil ocupações. Comparando com janeiro de 2008, verificou-se a geração de 34 mil empregos com carteira assinada e a perda de dois mil entre os assalariados sem registro em carteira no setor privado. No setor público foram criados 34 mil postos de trabalho, enquanto no emprego doméstico a perda foi de 28 mil vagas. Entre os autônomos houve redução de seis mil ocupações e o agregado "demais formas de inserção" apresentou ampliação de 11 mil postos no período.
Rendimentos crescem, mesmo com a crise
Entre novembro e dezembro de 2008, o rendimento real médio elevou-se em 2,9% e o seu valor passou para R$ 1.178. O rendimento dos assalariados cresceu no mesmo percentual, chegando a R$ 1.174. O rendimento real dos autônomos foi para R$ 1.018, o que representou um acréscimo de 3,2%. O salário real médio do setor de serviços variou positivamente em 3% (de R$ 969 para R$ 998). Na indústria elevou-se em 1,6% (de R$ 1.122 para R$ 1.139). No comércio o aumento foi de 0,9% (de R$ 796 para R$ 804). Tanto a massa de rendimentos reais dos ocupados como a dos assalariados apresentaram aumento de 3,2%, decorrente do aumento do rendimento real de ambas as categorias.
Comparando dezembro de 2008 com dezembro de 2007, o rendimento real médio dos ocupados elevou-se em 10,2% chegando a R$ 1.178. O salário real médio cresceu 5,4%, de R$ 1.113 para R$ 1.174. No setor privado, o salário médio aumentou em 4,7%. Entre os assalariados com carteira assinada, o acréscimo foi de 3,7% e para os sem registro em carteira, de 12,3%. Entre os autônomos, o rendimento médio elevou-se em 19,9%. Na comparação anual, a massa de rendimentos dos ocupados cresceu 16,3%, refletindo principalmente o aumento no rendimento real médio e, em menor medida, no nível ocupacional. A dos assalariados expandiu-se em 14,7%, resultado do comportamento positivo do nível de emprego e do salário real médio.







